S*

Abril 11 2010

Olá pessoal =')

 

Estou a ter um dia um pouco deprimente, mas acho que isto me vai alegrar =)

O último capítulo da história! Wow, finalmente, não é? Agora olho para trás no esforço feito e sinto-me muito bem... muitas histórias que tento escrever normalmente não passam dos dois capítulos até eu desistir, mas esta persistiu até ao fim, e sinto-me orgulhosa por isso!

 

Quero saber as vossas opiniões FRANCAS sobre o final da história, e sobre o desenvolvimento. Pessoalmente, acho que nos primeiros capítulos era muito fraquinha mas no fim acabou por ser razoável =) E quero agradecer a todos que leram a história do início ao fim. Se pudesse, mandava-vos a todos um ramo de flores! Este capítulo é dedicado a vocês (que eu calculo serem á volta de tres ou quatro pessoas xD mas não faz mal porque são poucas e boas!).

 

Sem mais delongas, senhoras (e duvido que senhores)

O final!

 

bj S*

 

 

Sexta-Feira, 31 de Dezembro 2010

Estava sentada no telhado da casa, observando o céu cheio de estrelas por cima de mim. Comecei a balançar-me parar trás e para a frente, sentada e a agarrar os joelhos, enquanto esperava pacientemente pelas doze badaladas. O meu corpo tremia violentamente numa tentativa de se aquecer apesar das camadas de roupa e de cobertores que eu usava por cima de mim. Estava tanto frio! Até tinha deixado o cabelo solto, para tentar aquecer a cara e o pescoço - agora, ficava-me quase pela cintura.

Olharia para o relógio para ver quantos minutos faltavam para a meia noite, se não o tivesse vendido para comprar comida. Conseguia apenas prever que estava quase; Sentia a electricidade no ar. Fechei os olhos com força imaginando que estava num lugar quente. Não resultou, pois uma tosse violenta arrastou-me para fora dos meus sonhos. Estava mal. Peguei no pacote de comprimidos ao meu lado e tomei um, como Sr. António me tinha aconselhado. O efeito não foi imediato, mas acalmou um bocado a tosse.

Estava igual desde o dia de Natal; Ainda estava doente e cheia de fome e frio, e por dentro ainda estava dilacerada. Apesar de tudo, aquilo que Sr. António me tinha dito começava a surtir efeito, pois deixara de pensar tanto em Lourenço depois daquele dia. Convencera-me a mim própria que aquelas palavras tão nítidas escritas por ele na folha de papel tinham sido… um sonho. Um delírio. Era impossível que tivesse sido mesmo ele. E a partir daí excluíra-o da minha mente. Não totalmente, isso era impossível, mas em parte.

Encolhi-me ainda mais nos cobertores á medida que um novo ataque de tosse tomava conta de mim. Irritada, peguei na caixa de comprimidos e tirei-os todos lá de dentro; uns dez á vontade, nem sequer contei. Tomei-os todos de uma vez, sem pensar. Desta vez, o efeito foi instantâneo. Senti-me mais leve, e a tosse parou. Agora tinha apenas uma vaga ideia do que se passava á minha volta, e senti-me  quase adormecer. Logo abanei a cabeça; tinha de ver o fogo. O fogo era a minha alegria.

Lembrava-me de no ultimo espectáculo de passagem de ano ter pensado em como as cores alegres da noite tornavam a noite triste numa festa. Passara essa noite com Luís, essa e tantas outras nos anos anteriores. Sorri ao pensar como esses tempos eram bons e como a vida era fácil. Parecia que tudo estava planeado e que o conto de fadas se iria realizar. Agora, já não me parecia o mesmo mundo, comigo neste estado e com ele feliz da vida com Carla, provavelmente. O sorriso desvaneceu-se na minha cara.

Pensar em Carla magoava; mas também, era só mais uma pequena dor em comparação com tudo o resto. Era a traição que me magoava mais, a sensação que tinha confiado nela para nada e que nunca tinha sido verdadeiro aquilo que eu pensava ser. Nós éramos amigas para sempre… mas aparentemente nada é para sempre neste mundo.

O meu pai costumava dizer isso: “nada é para sempre!”. Eu nunca acreditei, sempre tive a sensação que tudo acabava bem e que tudo ficaria bem. Agora via que não, e aposto que o meu pai também via isso. Ele e o resto da família. Eu ainda os amava, e doía estar longe deles… mas com Lourenço pelo meio a nossa relação tinha sido demasiado alterada. Afinal, ele tinha alterado tudo na minha vida, apercebi-me em retrospectiva.

Tinha sido por sua causa que perdera a minha família, e também as minhas amigas já se tinham desagradado com ele. A elas, perdera-as porque fora Lourenço a descobrir que Luís me traía e isso causou que nos separássemos. Também perdera Luís em parte por causa de Lourenço; mas isso era outra história.

Fora despedida por passar demasiado tempo com ele, e perdera o apartamento por causa disso. Agora, depois de tudo isto, Lourenço abandonara-me e deixara-me sozinha num lugar onde eu não pertencia se não tivesse a sua companhia. E porque tinha ele ido? Não só por minha causa, mas porque ele não se queria magoar.

Ele. Era tudo por causa dele.

Mas então, como é que ainda o amava?

Eu sabia a resposta. Pelo caminho eu tinha-o tido a ele. Tinha tido a oportunidade de conhecer uma pessoa assim especial. Só passara a odiá-lo quando me magoou e partiu, porque eram coisas completamente diferentes. Ficar e ir. E enquanto ficara, deixara uma marca demasiado profunda para ser esquecida.

Perguntei-me como reagiria se o visse outra vez. Se correria para os seus braços cedendo ao amor que sentia por ele ou se cairia ao chão com o impulso da dor. Não sabia. Mas também não era como se ele fosse voltar.

Espirrei violentamente. Sentia-me doente, muito mal mesmo. Apesar de todos os comprimidos que tomara, ainda me sentia terrível; tinha muito, muito frio. Dores de garganta e de cabeça, dores por todo o corpo, por andar pela mata. Arranhões, muitos deles sarados e outros tantos infectados ardiam-me na pele, e sentia o nariz congestionado e a pingar. O pior era, apesar de tudo, a tosse. Esta tinha voltado apesar de todos os comprimidos, e agora parecia até pior. Dava a sensação que iria explodir, com muita expectoração e dores agudas no peito. Tentei adormecer e deitei-me no chão de olhos abertos.

Não sei se era dos comprimidos, mas vi cores a dançar no céu. Vi as estrelas formarem constelações que dançavam entre as cores brilhantes, e sorri tolamente perante o espectáculo. Só depois me apercebi que o fogo de artifício tinha começado a explodir. O ano da minha tortura finalmente acabara… então, porque me sentia ainda torturada?

Procurei uma posição mais confortável para me deixar adormecer. A tosse não deixava. Não sei como é que ouvi a vozinha tímida que vinha da janela do quarto a chamar o meu nome.

- Vera? – chamou um vulto indistinguível, içando-se para o telhado. Parecia um homem.

Parei de tossir, recorrendo a toda a minha força de vontade. O vulto deixou de ser indistinguível… reconheceria aquela voz em qualquer lado.

- Lourenço! – Gritei. Ou teria gritado, não estivesse a minha voz rouca.

                Eu não me levantei, simplesmente me encolhi mais nos cobertores. Ele estava de pé á minha frente, mas eu não conseguia vê-lo devidamente. O nosso silencio era coberto pelos estalos e barulhos da noite de ano novo.

                - O que é que fazes aqui? – perguntei finalmente, num fiozinho de voz. Não sabia se estava contente ou triste. Não sabia como reagir á sua presença. Apetecia-me beijá-lo e abraçá-lo, mas também bater-lhe até que se sentisse como eu.

                Ele demorou algum tempo a reagir, enquanto se aproximava mais de mim.

- Eu lamento. Voltei.

                Eu senti algo quente – finalmente quente – dentro de mim. Raiva.

                - Tu lamentas? – perguntei, incrédula. Ele disse que sim. – Lamentas? E achas que lamentar me ajuda?

                - Eu sei que não. E o que eu fiz está errado, eu sei, e é por isso que voltei! – Explicou ele, ajoelhando-se ao meu lado.

                Sem saber o porquê, dei por mim a me afastar dele. Repulsa, pensei para mim mesma.

                - Tu magoaste-me muito, Lourenço. Se pensas que voltar é suficiente para eu te perdoar… Estás muito enganado. – sussurrei friamente para ele. – Vai-te lixar. – Depois, olhei para o céu, contendo um novo ataque de tosse e contendo também as lágrimas.

                - Eu nunca cheguei a partir, Vera. – confessou, com voz desesperada. – Arrependi-me do que fiz depois de o ter feito, e quando ia voltar para trás, achei que não me ias aceitar.

                - Porquê? – Perguntei, automaticamente. – porque é que pensaste nisso?

                - Porque o que eu fiz não se faz a ninguém. Pensei que não me ias querer ver mais á tua frente, mais ainda com o Luís. Pensava que o tinhas escolhido a ele.

                - Tu és e sempre serás mais importante que o Luís. Mas só me apercebi disso nessa noite. – Ainda não conseguia olhar para ele. – Acabei com ele por ti.

                - Eu sei. Eu li a carta. – Contou. – Quando saias de casa eu ia lá para pensar numa maneira de te ter de volta. Um dia, encontrei a carta na mata e deixei-a na sala. Mas tu não ligaste. Aí tive a certeza que já não me amavas.

                - É claro que te amava, rapaz estúpido. Antes de fugires, pelo menos. – Resmunguei. Ele ouviu.

                - Eu sei que me deves odiar agora…

                - E odeio mesmo.

                - …mas eu tive de ganhar toda a coragem do mundo para voltar cá. Não espero que me aceites de volta, não o vais fazer. – Dizia tudo aquilo muito rápido. Eu senti dificuldades a perceber o que dizia, e voltei a sentir-me muito fraca. – Mas quero saber se me perdoaste.

                - Lourenço, eu não te consigo perdoar. – murmurei, fechando os olhos face ao mal estar e ignorando a parte de mim que gritava por ele. – Eu estava disposta a dar tudo… mas quando me deixaste… - senti mais lágrimas cair. – eu não consigo.

                Ele ficou em silêncio, e eu de olhos fechados mal me apercebia se ele estava ali ou não. Forçava-me a mim própria a desprezá-lo: não era capaz de ficar indiferente á sua presença. Só quando falou é que eu dei por si.

                - Eu perdoei-te quando tu me magoaste. – acusou, com voz desesperada.

                - E eu gostava de poder fazer o mesmo. Mas não consigo.

                - Eu não te peço que me ames outra vez. Mas pelo amor de Deus, consegues sequer voltar a ser minha amiga?

                Eu abri finalmente os olhos inchados, e olhei para ele automaticamente, vendo-o a sério desde a sua chegada. A nota de histeria na sua voz chamara-me a atenção.

                Estava um caos. Tinha o cabelo demasiado comprido, e os caracóis deixaram de estar definidos e perfeitos como em tempos. As roupas estavam rotas e a barba demasiado grande e farfalhuda. Á minha semelhança, tinha cortes pelos braços e pernas e os lábios gretados; só não parecia ter frio, como eu. A única coisa que permanecia igual ao de antes eram os seus olhos; eternamente cor de chocolate, brilhantes com a esperança, e inesperadamente molhados como os meus. Era o meu chocolate. O meu Lourenço.

                - Tu estás a chorar. – evidenciei. Ele conseguiu sorrir tristemente. – Eu nunca te vi chorar.

                Ele encolheu os ombros, ainda á espera de uma resposta. Eu olhei-o com mais atenção. Não só nunca o tinha visto chorar como também nunca o tinha visto assim tão mal, naquele estado triste e deprimido. Parecia quase inumano, um monstro. Aquela visão fez-me finalmente tomar uma decisão; ignorei a confusão de sentimentos dentro de mim e procurei concentrar-me na lógica. Finalmente, luz.

                - Eu não te consigo perdoar, Lourenço. Eu tenho de aceitar que foste. Nunca mais vai ser a mesma coisa, e nós não podemos estar juntos nesta vida. – Disse muito rápido, e virei a cara para o lado.

Pelo canto do olho, vi-o deixar cair os ombros, sem ar.

- Mas… eu sempre quis recomeçar uma vida nova. – Admiti com um suspiro.

                Tirei a mão relutantemente debaixo dos cobertores e estendi-lha. Ainda não tinha a certeza porque fazia aquilo, mas sei que fazia.

                - Eu sou a Vera. Muito prazer em conhecer-te.

                Debaixo da sua máscara de tristeza, vi o começo de um sorriso. Depois, este tomou conta da sua face e ele estendeu a mão.

                - Sou o Lourenço. É bom conhecer-te, Vera.

                Eu sorri á medida que abria os cobertores para ele se aninhar comigo. Ele assim o fez. Eu pensava que me ia beijar, mas ele claramente apercebera-se que ainda não estava preparada para isso. Ainda tinha muito que pensar, mas não naquela noite.

                Não, naquela noite iria apenas ver o fogo de artifício com aquele que, involuntariamente, amava e odiava ao mesmo tempo – se bem que o ódio começava a desaparecer. Eu deitei a cabeça no seu peito e senti-me adormecer. Não sabia se era dos comprimidos, da doença, do cansaço, da dor… mas estava estafada. Ele dava-me segurança.

                Com mais um ataque de tosse, senti-me morrer. Não literalmente, presumi, mas sei que ao fechar os olhos pensei que não ia acordar mais nenhuma vez. Não dormia á quanto tempo já? Nem tinha noção. Só sabia que agora estava em segurança, e que estava finalmente quente nos seus braços.

Como sempre deveria ter sido, e como eu sabia  de certeza que sempre seria.

 

FIM

 

 

publicado por sofy20 às 22:05

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