S*

Março 30 2010

Hi everybody

(Hi dr. Nick!)

 

... não sei se perceberam, mas enfim.

Olhó capítulo fshquinho!

Vocês vão-me odiar depois disto, mas aqui está.

 

Para aqueles que estão tristes pela história estar quase a acabar (cp20!), digo que já vou começar numa nova, por isso não desesperem! xD

 

Comments, plz?

 

Lya

 

BJ S*

 

Terça-Feira, 2 de Novembro 2010

Corria alegremente por entre as árvores, saltitando pelos cantos e com um sorriso na cara. Não obstante o que ia fazer, estava com um peso no coração. Aquelas coisas não se faziam de ânimo leve, e era por isso que ao me dirigir para o apartamento onde Luís vivia ia esgotando a minha energia. Quando saí dos limites da floresta, abrandei o passo, andando e não correndo, á medida que as mãos tremiam de receio em antecipação.

Não sei se seria a atitude correcta, mas algo me dizia sinceramente que sim. Tudo apontava para isso. Eu tinha de acabar com Luís. Para o meu bem. Para o nosso bem. E a noite que passara com Lourenço provara que isso era verdade.

Ah, Lourenço. Deixara-o deitado no chão da casa, quando saíra de lá de manhã cedo. Quando chegasse, contar-lhe-ia o que tinha feito e finalmente, finalmente!, poderíamos ficar juntos. Nada me deixava mais feliz, e surpreendi-me por não ter apercebido disso antes. Mesmo com a partida de Beatriz, seria um dia alegre.

Toquei á campainha, relutante, anunciando que era eu. Luís, que explicou estar sozinho pois os tios tinham ido ás compras, abriu-me a porta e eu entrei no apartamento.

- Olá. – Cumprimentou com um sorriso, beijando-me na face.

Eu não disse nada, mas mantive uma expressão dura enquanto me sentava no sofá.

- Temos de falar. – Expliquei.

- Temos? – Perguntou, confuso, sentando-se na mesa á minha frente. Ele usava a camisa vermelha, a minha preferida. A barba e o cabelo estavam ligeiramente mais compridos do que da ultima vez que o vira. Os olhos ainda brilhavam da mesma maneira quando sorria, e ainda era tão atraente quanto á primeira vista.

- Sim, temos. E é sério. – Anunciei relutante, respirando fundo. Argh como fazia aquilo? – Tu e eu… Nós… Temos de… hum… tu sabes…  acabar, Luís. – Ele arregalou os olhos, em espanto. Eu não sabia o que dizer.

A verdade é que nunca tinha tido a tarefa ingrata de acabar com alguém. Isso porque Luís fora o meu primeiro namorado a sério. 

Depois daquele discurso incoerente, ele suspirou.

- Também concordo.

- Ai sim? Oh, ainda bem! – Respirei aliviada, jogando-me para trás no sofá. – Isso torna isto muito mais fácil.

Ele sorriu.

- Pois torna, mas não deixa de ser desagradável, de certa maneira.

- Eu sei, Luís. Mas – procurei as palavras certas, desta vez sem gaguejar. - É só que… nós mudámos. Eu sei de coisas que… enfim. Isto não pode continuar. Já não falávamos á três semanas, vê lá.

- Eu sei. – Ele olhou-me nos olhos. – a Carla… - Eu interrompi-o e disse que sim com a cabeça. Ele baixou a cabeça envergonhado. – Desculpa

- Não há problema. Só gostava de saber… - Comecei, honestamente curiosa. –  Porquê?

- Não sei dizer exactamente… - tentou explicar. – Em parte porqe eu sempre sentira qualquer coisa por Carla… em parte porque não me sentia feliz contigo… mas especialmente, nestes últimos tempos, porque tu mudaste. Deixaste de querer passar o tempo comigo. Já mal me ligavas, passavas os dias com o teu amiguinho Lourenço. – Ele estava magoado. - Mas lamento muito ter-te feito o que fiz. Juro.

- Se queres que te diga, estamos quites. – Joguei os olhos para o chão, também envergonhada. Por muito que gostasse de Lou, não era correcto fazer o que tinha feito. – Também Lamento.

- Quem? – Perguntou Simplesmente.

- O Lourenço.

Ouvi-o suster a respiração, com raiva. Luís não gostava de Lou.

- E gostas mesmo dele? – Perguntou, sentando-se ao meu lado já mais calmo. Eu não respondi. Tinha acabado de acabar com ele. Não me apetecia partilhar a minha vida amorosa. – Podemos ser amigos, Vera. – relembrou.

Eu sorri e suspirei. Olhei para ele.

- Gosto mesmo muito dele. Mais do que alguma vez gostei de ti. – Admiti. Ele assentiu, como se compreendesse. Era aquilo que me fizera apaixonar por Luís, tantos anos antes. Ele inspirava confiança. Ele podia me ter traído, mas se pedia desculpa era porque se arrependia a sério. Eu conhecia-o apesar de tudo. E não era ingenuidade. – Também te sentias assim quanto á Carla?

- Mais ou menos. Não sei bem. – respondeu. – Mas ela saiu da cidade. Evaporou. Por isso…

- Isso é culpa minha, lamento. – pedi. -               Quando descobri fiquei fula e acho que ela percebeu á letra quando disse que não a queria ver mais á frente. – Ele olhou-me irritado. – Mas não te preocupes, eu sei para onde ela foi, devias ir atrás dela. Recomeçar.

- Recomeçar?

- Sim. Como se não tivesse havido nada antes de ti e ela, percebes? – expliquei. – Eu sei que é isso que quero fazer. Recomeçar.

Ele sorriu e nada disse. Eu indiquei-lhe o nome da cidade para onde Carla tinha ido, e dirigi-me para a porta. Despedimo-nos com um abraço, como velhos amigos. Depois, saí do apartamento e corri em direcção á floresta, em direcção ao meu destino que eu sabia ser a sério.

Parecia que não corria depressa o suficiente.

 

Parei em frente á casa, olhando o que sabia agora ser definitivamente o meu lar. Apenas consegui fazer isto por momentos.

Agora era livre. Agora, que tudo parecia se encaixar no lugar, eu ia ficar feliz com Lourenço. Beatriz ia embora, infelizmente, mas quando eu e ele ficássemos juntos tudo seria perfeito novamente. Eu queria, como dissera a Luís, recomeçar. Eu ia ter com Lourenço tudo o que não tivera com Luís.

Íamos viver felizes, naquela casa. Arranjar emprego, Ensinar a Lourenço as coisas do mundo. Viajar, ir a todo o lado. Enviar o manuscrito do meu livro para uma qualquer empresa que o pudesse publicar, e sermos simplesmente felizes á nossa maneira. Era o meu sonho, ao ver tudo aquilo. Naquele instante, tudo me parecia possível, e sorria tolamente face ás possibilidades.

- Lourenço?! – Chamei, em êxtase, entrando em casa. Os meus braços prepararam-se para o envolver, para o beijar desesperadamente como sempre quisera. Mas não vi nada. A casa estava vazia.

“Deve ter ido passear…” pensei, sentando-me no chão á espera. Se saísse agora, á sua procura, provavelmente nunca o encontraria no meio da floresta.

Olhei em volta, vendo tudo aquilo que me circundava… as paredes altas e descoloridas, as madeiras soltas do chão, as janelas rangentes e enormes nas paredes. Sorri ao pensar em Ruxo, o urso de estimação, e estendi-me para o ir buscar.

Só senti o chão áspero debaixo da minha mão. Ruxo não estava ali, no sítio onde sempre estava. Sempre. Lourenço aborrecia-se quando o guardava noutro lugar qualquer, por isso era muito estranho não se encontrar ali. Olhei para o sítio, achando algo ainda mais estranho. Não estava lá o seu cobertor também. Nem a taça de água que guardava. Olhando com mais cuidado, não estava nada na sala. Estava ainda mais vazia que o habitual, sem os objectos diários e coloquiais de Lourenço. O cobertor, o urso, á agua, a navalha, as roupas sujas. Não se via nada disso.

Perguntei-me se as teria levado para o andar de cima. Com certeza que fora isso, era como sempre fazia para as limpar. Subi as escadas devagar, com aquele medo constante de cair. No andar de cima, não estava nada. O quarto pequeno da cómoda cor-de-rosa estava tão vazio como o primeiro andar.

Talvez no telhado, pensei. Abri uma das gavetas da cómoda, á procura do meu casaco pois estava frio na rua, mas quando o tirei, qualquer coisa estava estranha. A gaveta estava mais vazia. Toda a casa estava demasiado vazia. Instintivamente, abri as outras gavetas; As coisas de Lourenço e de Beatriz tinham desaparecido.

Fui invadida por uma sensação de desconfiança. Vesti o casaco e subi rapidamente ao telhado.

- Lou! Bea! – Chamei. Nada. Silêncio total.

Olhei em volta. No lugar que ele chamava o seu sítio especial, havia alguma coisa. Parecia… parecia uma folha de papel. Por cima desta, para impedir que fosse levada pelo vento, estava uma pedra. Eu apressei-me e peguei nela, lendo as palavras gatafunhadas no papel, certamente escritas por Lourenço. Senti a cara ficar molhada pelas pingas finas de chuva que começavam a cair, á medida que passava os olhos pela carta.

 

Vera,

Consegues perdoar-me?

            Desculpa.

            Eu perdoei-te pelo que me fizeste. Mas não sei se vais ser capaz de me perdoar pelo que te estou a fazer. Desculpa. Uma e outra e outra vez, desculpa. E mesmo assim não é suficiente.

            Não te odeio se não me conseguires perdoar por te deixar assim, mas tinha de te dizer alguma coisa. E por isso digo-te que Lamento.

            Perguntaste-me ontem se ainda te amava. Eu disse que não sabia. Agora, já sei. Sei que sim, porque só a perspectiva de te deixar me assusta de morte, porque imaginar a vida sem ti não é a mesma coisa. Tenho medo de seguir em frente, e ao mesmo tempo sei que tem de ser. Que tenho de o fazer. E por isso Lamento mesmo muito.

            Porque por muito que te ame, não me amas. E isso faz-me sofrer. A noite passada relembrou-me de tudo; e não consigo simplesmente reviver os meses passados. Porque eu te conheço. E eu sei, simplesmente sei, que se continuar aqui vai ser um ciclo vicioso. Vais voltar para ele todas as vezes. Por isso deixo-te em paz, já não ficas confusa por mais tempo.

            Fica com o Luís. Ele só tem sorte. Mas eu vou sair da tua vida para finalmente poderes ser feliz. Vou embora para Sempre.

            Vou com a Beatriz. Vou tentar seguir a vida dela. Ela disse que podíamos seguir com ela se quiséssemos, e ela tentou fazer-me ficar, mas sou eu que não quero.

            Pela última vez, desculpa. Desculpa por te deixar assim, por ser covarde e não me dignar a te enfrentar. Só quero que saibas isto: Amo-te para sempre.

            Lourenço.

 

                Senti as pingas grossas da chuva a ensopar o cabelo.

                A chuva misturava-se com as minhas lágrimas e com a tinta no papel. E com a minha dor chocante e inesperada.

                A dor. A dor insuportável voltara.

                Porquê?

publicado por sofy20 às 00:25

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